As letras têm uma qualidade misteriosa e cabalística que tem inspirado artistas ao longo dos tempos. Calígrafos, pintores e gravadores nunca deixaram de as moldar e decorar, utilizando-as como ponto de partida para sonhos e fantasias sem limites. As iniciais iluminadas dos manuscritos medievais, que vão da exuberância românica ao excesso gótico, abriram o caminho. Não se tratava apenas de cenas bíblicas, mas também de animais míticos e figuras humanas, que foram precursores diretos dos alfabetos zoomórficos e antropomórficos do Renascimento e posteriores. Com a invenção da impressão, a inventividade dos artistas não conheceu limites. As letras ornamentadas apresentavam acontecimentos históricos e míticos, paisagens românticas, árvores, flores, edifícios, palhaços, demónios, crianças e todo o tipo de animais. Não havia, de facto, tema que não pudesse ser posto ao serviço do alfabeto animado. Hugues Demeude partilha a sua paixão pela letra decorada através de um texto histórico sucinto e de uma vasta gama de exemplos belamente reproduzidos do século VIII ao século XX, desde manuscritos sagrados iluminados a postais produzidos em série. Os amantes da arte e do design irão apreciar a profusão decorativa, que inclui exemplos do Saltério de Corbie e Les Tres Riches Heures du Duc de Berry, e o trabalho de artistas como Albrecht Durer, Hans Holbein, Lucas Cranach, Honore Daumier e Kate Greenaway.
















